Surge como um novo modelo de produção, comercialização e distribuição para viabilizar o consumo de produtos sem veneno. Uma iniciativa que visa facilitar a formação de mercados sociais a partir do encurtamento ou da eliminação da distância entre produtores e consumidores, eliminando o intermediador capitalista e ressaltando as iniciativas agroecológicas em respeito ao meio ambiente e social.

A agroecologia é uma forma de fazer a agricultura em aliança com a ecologia, primando por um meio ambiente e social equilibrado. Trata-se – mais do que um conjunto de princípios e técnicas de manejo ecológico dos solos, de conservação da água e da biodiversidade – de um modo de vida que prima pela maior harmonia entre o ser humano e o meio ambiente.

Para falar em Agroecologia é importante que nos situemos em relação ao modelo atual, do agronegócio, da agricultura química e industrial. É um modelo que destrói os recursos naturais não renováveis – solo, água, biodiversidade – e envenena os trabalhadores e as pessoas que consomem os alimentos contaminados. Provoca ainda a exclusão dos agricultores menos capitalizados, favorecendo a concentração da terra, da riqueza e do poder nas mão de muito poucos.

Substituir esse modelo passa pela redução do uso de fertilizantes e agrotóxicos, por sua gradual substituição por insumos ecológicos e, em um movimento mais avançado, por gerar biodiversidade como base do redesenho dos sistemas produtivos para a autorregulação ecológica, que permita que não mais necessitemos usar os insumos e processos da agricultura convencional.

O Brasil agrícola, apesar da tradição política conservadora que até hoje entrava seu desenvolvimento, também é reconhecidamente um dos países em que o avanço da Agroecologia tem sido realizado de forma marcante. Contra toda a resistência do poder ruralista e muitas vezes do Estado, agricultores familiares, assentados e organizações sociais têm desenvolvido uma enorme diversidade de experiências agroecológicas ao longo das últimas décadas. O que constitui hoje uma base sólida para enfrentar o modelo agrícola convencional e oferecer à sociedade uma alternativa segura, produtiva, inclusiva e com perspectiva de futuro.

A Agroecologia pode ser vista também, de forma indissociável, como uma prática, uma ciência e um movimento social. Como movimento social, a Agroecologia ganha uma dinâmica que permite sua expansão, e a apropriação social da experiência e do conhecimento. No Brasil, o papel dos movimentos sociais tem sido de fundamental importância para a aplicação mais ampla da Agroecologia. O maior movimento social do país, o MST, definiu há anos sua orientação agroecológica, ao reconhecer que não basta fazer a reforma agrária, há que fazê-la de forma diferente do modelo do agronegócio.

É para fortalecer este movimento agroecológico que surge a Rede Livres. Contando com parcerias decisivas como a do Sindicato dos Químicos Unificados, mais do sermos uma Rede que promove a agroecologia a partir da difusão e promoção de produtos sem veneno, nossa meta maior é colaborar para que a agroecologia se constitua, de modo definitivo, como um modelo de transição geral (em termos sociais, econômicos, ambientais, culturais e políticos) para o Brasil e a América Latina, para que a vida se coloque acima do lucro.